Galeria e Montagem: CH-46E/F Sea Knight da HobbyBoss 1:72

CH-46E/F Hobbyboss 1:72

Fala, plastimodelistas! Sejam muito bem-vindos a mais um artigo detalhado aqui no Milk Plastimodelismo. O projeto que trago para a bancada hoje tem um sabor nostálgico e marca um momento único na minha jornada dentro do hobby. Hoje vamos analisar e conferir a galeria completa do CH-46E/F HobbyBoss 1:72, um kit que me tirou da zona de conforto e entregou um resultado espetacular.

Olhando para trás, hoje com mais de 25 anos de dedicação ao plastimodelismo e muita experiência acumulada com aerografia, é curioso lembrar que este foi o meu primeiríssimo helicóptero. Essa montagem aconteceu lá atrás, por volta de 2008 ou 2009. A forma como esse kit chegou até mim naquela época, bem como a fluidez de sua montagem, são histórias que valem a pena ser resgatadas e compartilhadas com vocês.

Mas antes de falarmos de plástico, cola e tinta, vamos conhecer um pouco mais sobre a máquina real que inspirou este modelo.

O Gigante de Dois Rotores: Conhecendo o CH-46 Real

O Boeing Vertol CH-46 Sea Knight (frequentemente confundido pelos entusiastas com o “Sea King”, que na verdade é o SH-3) é um dos helicópteros de transporte médio mais icônicos da história da aviação militar. Com seu inconfundível design de rotores em tandem (rotores duplos), ele dispensa a necessidade de um rotor de cauda, permitindo que toda a potência de seus motores seja direcionada para a sustentação e o empuxo da aeronave.

Desenvolvido originalmente no final da década de 1950 e realizando seu primeiro voo em 1958, o CH-46 foi adotado pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) em 1964. Ele rapidamente se tornou a espinha dorsal logística e de assalto anfíbio durante a Guerra do Vietnã, ganhando o afetuoso apelido de “Phrog” (Sapo) por conta de sua postura atarracada no solo e a grande rampa de carregamento traseira.

As variantes E e F do CH-46 trouxeram atualizações vitais para a sobrevida da aeronave. O modelo CH-46E, por exemplo, foi uma grande modernização que incluiu a instalação de motores T58-GE-16 muito mais potentes, aviônicos aprimorados, e pás dos rotores feitas em fibra de vidro, substituindo as antigas de metal que sofriam com a fadiga e a corrosão. Essas melhorias permitiram que o Sea Knight continuasse operando com maestria no Iraque, no Afeganistão e em missões de resgate até a sua merecida aposentadoria e substituição pelo MV-22 Osprey nos anos 2000. É uma máquina com um legado pesado, perfeita para ser imortalizada na escala 1:72.

A Chegada Inesperada: Sorteio no Open do GPPSD

Uma das coisas mais fascinantes do nosso hobby são as histórias por trás de cada caixa na estante. O CH-46E/F HobbyBoss 1:72 não foi uma compra planejada, mas sim um presente do destino.

Eu ganhei este modelo em um sorteio durante o tradicional evento Open organizado pelo GPPSD (Grupo Paulista de Plastimodelismo e Similares), na cidade de São Paulo. Eventos como o do GPPSD são sempre excelentes oportunidades para rever os amigos, admirar trabalhos incríveis e, com um pouco de sorte, voltar para casa com um kit novo debaixo do braço.

Sendo o meu foco histórico totalmente voltado para outras vertentes, olhar para a caixa daquele helicóptero me gerou um misto de curiosidade e desafio. Foi ali que decidi: este seria o primeiro helicóptero que eu montaria. O fato de ter sido um prêmio em um evento tão importante para a nossa comunidade deu um incentivo extra para caprichar no projeto.

O Kit na Bancada: Review do CH-46E/F HobbyBoss 1:72

Ao abrir a caixa do CH-46E/F HobbyBoss 1:72, a primeira impressão é extremamente positiva. A HobbyBoss tem uma reputação mista dependendo da linha de kits, mas neste modelo específico, eles acertaram em cheio.

  • Injeção de Plástico: O plástico cinza é de excelente qualidade, nem muito duro, nem macio demais, facilitando o lixamento.
  • Detalhamento: As linhas de painel são em baixo relevo, nítidas e finas, perfeitamente adequadas para a escala 1:72. Os rebites são reproduzidos de forma sutil e não parecem buracos de bala.
  • Transparências: As peças transparentes vêm bem protegidas e são cristalinas. Como helicópteros possuem uma grande área envidraçada no cockpit e nas vigias laterais, isso é um ponto crucial.
  • Decais: A folha de decais é bem impressa, com cores no registro correto e filme fino, oferecendo opções de marcações operacionais clássicas.

O que mais me chamou a atenção foi a clareza do manual. Desde o início, o projeto se mostrou promissor e ideal para quem queria uma montagem limpa e sem dores de cabeça.

O Processo de Montagem: Direto da Caixa (Out of Box)

A minha premissa para este projeto foi clara: o modelo seria montado Out of Box (OOB), ou seja, direto da caixa, sem a adição de peças de resina, photo-etcheds (PE) ou acessórios aftermarket. Queria testar a engenharia do kit puramente como ele vem de fábrica.

Para a minha surpresa, foi um kit muito bom de se montar. Os encaixes das metades da fuselagem foram precisos, exigindo uma quantidade mínima de massa putty apenas para refinar a linha de junção superior e inferior. O interior do porão de carga e do cockpit possui detalhes suficientes para a escala, e uma pintura cuidadosa com a técnica de drybrush (pincel seco) e um wash leve foram o bastante para dar vida aos painéis de instrumentos e assentos.

Técnicas Semelhantes às de Aviões

Se você é um modelista focado em aviões e tem receio de montar helicópteros, aqui vai a grande revelação: as técnicas de montagem são muito semelhantes aos de aviões.

veja aqui a galeria do Ki 84 Hayate “Frank” também montado Out Of Box (O.O.B)

A sequência lógica não muda muito. Começamos pelo cockpit e áreas internas, fechamos a fuselagem, preparamos as transparências (muito mascaramento necessário aqui com fita Tamiya, dada a quantidade de janelas) e partimos para a pintura principal. A grande diferença fica por conta dos rotores. Eles foram montados e pintados separadamente, recebendo um desgaste específico nas pás para simular a ação do vento, areia e sol, comuns nas operações navais e anfíbias do USMC.

Na pintura externa, o uso do aerógrafo fluiu com naturalidade. Apliquei um primer de qualidade, seguido do pre-shading nas linhas de painel para dar volume. As cores finais cobriram o modelo perfeitamente. O gloss coat (verniz brilhante) preparou o terreno para os decais, que aderiram muito bem com o uso de amaciantes. Após um verniz fosco final e a aplicação de pigmentos para simular fuligem perto das saídas do motor, o modelo estava pronto.

O resultado final Out of Box é de encher os olhos e prova que um kit não precisa de centenas de reais em acessórios extras para se tornar uma bela peça de exibição.

Gostou da montagem? Deixe seu comentário abaixo! Já montou o seu primeiro helicóptero ou ainda tem receio de sair dos aviões e blindados? Compartilhe sua experiência conosco.

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